
Algo
Lhe roía as entranhas
Lentamente…
Camada
após
camada,
Pedaço
Após
Pedaço.
Entupindo,
Rebentando,
Quebrando…
E essa torneira
Já não sabia chorar.
Ilustração de Bruno Clemente e texto de Leonor Figueiredo
Por aí...


O tempo passa, transforma as coisas…
Num silêncio admiravelmente dominador,
Que só a elas pertence.
Molda novas formas, destrói umas,
Cria outras…
Com a mesma célere lentidão de sempre.
O Tempo.
Em si, nada é, nada contém, é vazio…
Desprovido de História ou Sentimento
…
É Nada
No entanto.
Ela é contentor do Tempo,
Criadora Dele…
Da mesma forma que a ferrugem se apodera teimosamente das suas entranhas,
Tal como o sol a si mesmo se consome.
Ela é o Tempo e o tempo é Ela,
fundem-se.
O Tempo.
O Universo…
..ao mesmo tempo...
(É-o.)
Fotografia de Leonor Figueiredo e Texto de Bruno Clemente